Como escrevi em postagens anteriores, o conhecimento se torna um recurso tecnológico fundamental para o planejamento e gestão de eventos.
Mas outro recurso imprescindível como tecnologia complementar é a técnica. Sem ela, qualquer conhecimento se torna elemento de análise e percepção, mas incompleto.
A técnica está intimamente relacionada à manipulação das informações (dados, características, aspectos) e dos conhecimentos, seja por uma experimentação já realizada (ou experiência com o uso da técnica para eventos anteriores), ou por um conjunto de aplicações em diversas situações e oportunidades.
Enquanto o conhecimento traz clareza e amplitude sobre o universo de percepções para a solução de problemas, a técnica traz assertividade e objetividade para as soluções, criativas e alternativas, na execução de um projeto de evento.
Nada mais propício do que dois exemplos para justificar tudo isso.
Como supervisor operacional de um centro de eventos, tive a oportunidade de acompanhar a produção de alguns shows, como do Roberto Carlos, Rita Lee, Daniela Mercury e Diana Krall, entre outros. Para cada evento, novos fornecedores e novas “leituras” do mesmo espaço (leitura no sentido de aproveitamento das mesmas informações, mesmos recursos físicos e tecnológicos, mas com linguagens e usos diferentes).
Se analisado apenas um item – sonorização –, o conjunto de conhecimentos agregados à implantação dos projetos que cada artista apenas permite a reprodução das especificações e exigências para o cumprimento do mapa de palco estipulado para produção do show (detalhes dos equipamentos - como tipo de equipamento, marcas, posição dos equipamentos no palco -, conexão dos equipamentos, mapeamento da conexão dos equipamentos da mesa de som, entre outros). Em outras palavras, o atendimento dos requisitos mínimos do projeto. A técnica, nestes casos, permite:
1) Experimentação para a propagação do som no espaço - necessária para melhores regulagens e ajustes, de forma personalizada e de acordo com as características do local do evento, que permitam clareza, definição e eficácia, para a melhor valorização dos talentos dos artistas. Neste caso, podem ocorrer de duas formas: concentrada (quando usa um sistema direto) ou distribuída;
2) Avaliação de nível crítico para a “massa sonora” – refere-se à percepção do ouvinte para a qualidade do som percebido com a clareza necessária – e identificação dos “vazamentos” de som. Esses sons vazados são indesejáveis, e captados por fontes diversas (principalmente, microfones) e de formas diversas (ruídos, reverberação, realimentação). Na mixagem final, devem ser eliminados, ou minimizados;
3) Formatação do sistema de som – posicionamento dos recursos no espaço (ajustes de palco – para o vazamento, front fills – caixas de som, e house mix – local de controle de som e luz).
Outro exemplo esteve diretamente relacionado a um evento produzido e monitorado por mim – uma exposição de camisas e bolas históricas nos Mundiais de Futebol.
Os conhecimentos, neste caso, relacionaram-se à história (dados e fatos relevantes, formações das seleções, resultados, curiosidades) e particularidades das camisas e bolas (evolução tecnológica e funcional, técnicas de confecção, padrões, diferenciações e particularidades), para a composição do acervo e acompanhamento da exposição.
As técnicas permitiram:
1) Avaliação para a mais adequada manipulação (relacionada ao zelo que algumas peças requeriam);
2) Disposição das peças no espaço – criação de um “roteiro” de visita, visualmente perceptível;
3) Iluminação (direta e indireta para a criação de efeitos);
4) Produção e disponibilização de informações sobre o acervo;
5) Formatação da exposição – mapeamento dos recursos e distribuição no espaço, de forma personalizada com a estrutura e infraestrutura disponíveis.
Figura 2: Aspecto da Exposição - Camisa usada no Mundial de 1986 (iluminação vigia ao fundo - luz indireta)Nos dois exemplos, os conhecimentos são fundamentais; as técnicas, imprescindíveis.
Afinal, nos eventos, técnicas são tecnologias!!!


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